sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Moon-do de luz


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Moon-do de luz

Surge no horizonte embebida
em múltiplos tons de laranja,
quase sangrando a escuridão.
Evaporando olhares atentos,
sugando retinas anestesiadas.
Implode todos os adjetivos
ávidos na inútil classificação
do que não nos cabe definir.
Lança sutilmente nos telhados
uma suave lambida de luz,
iluminando o verde do musgo
incrustado na úmida cerâmica.
Desvenda o inúmeros caminhos
esquecidos na vastidão noite,
substituídos pela luz sem luz
que brota do canto da sala,
sugando avidamente os olhares
vazios de qualquer perspectiva
de mergulho na amplidão.
A luz que gritas ao redor
não é mero reflexo do outro,
mas o grito do outro
descortinando a infinita beleza
ao iluminar esse flutuante ser.
Meu olhar agradecido e atento
paira na escuridão suavizada
pela grandiosidade de sua refulgência.
Meu ser prontamente recusa-se
em estar somente em si,
dissolvendo-se sob seu brilho,
sugado e misturando-se à sua luz.




Ninil-Zé 2008

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